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Como fazer o aluno se interessar e aprender com seu curso?

Todos nós adoramos uma novidade. Na verdade, melhor dizendo, “nosso cérebro”. Sim, nosso cérebro sempre está buscando, examinando, esperando por algo diferente do comum. O cérebro foi criado dessa maneira e isso ajuda a mantê-lo vivo.

Sim, vivo. Pois este é o mesmo mecanismo que nossos antepassados dos tempos das cavernas usavam para perceber pedradores se aproximando. Tigres, por exemplo.

Nos dias de hoje usamos o mesmo mecanismo para perceber outros tipos de “pedradores” que vão de ladrões até baratas cascudas voadoras e nojentas.

Para que o cérebro perceba esses perigos, é necessário desligar a atenção das coisas rotineiras, comuns e normais do nosso dia-a-dia. Logo, tudo que não parece ser obviamente importante, o cérebro não irá gravar.

Bem, como o cérebro sabe o que é importante? Imagine você saindo de casa para passear de bicicleta no parque. Você está lá, todo feliz, sentindo a brisa de um fim de tarde, sentindo o cheiro da natureza. Seus batimentos cardíacos estão lentos devido a tranquilidade do local. Até que de repente, não mais que de repente, aparece um TIGRE na sua frente!

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O que você faz?

( ) Passa por cima do tigre sem nem perceber?
( ) Diz “UAU! Um tigre!”, desce da bicicleta e vai alisar o “bichano”?
( ) Dá meia volta e sai disparado, gritando assustado, morrendo de medo de perder a vida?

Eu não sei qual a sua resposta mas uma coisa é certa: o tigre chamou a sua atenção. E mais: tirou você de uma situação de tranquilidade e colocou você em total alerta. Se você alisou o bicho ou saiu correndo, não interessa, você percebeu o bicho, sentiu emoções e tomou uma atitude.

O tigre chamou a atenção do seu cérebro por ser completamente diferente do que se espera de um passeio de bicicleta num parque tranquilo. Independente se o tigre oferece perigo de vida, o mesmo nível de alerta ocorreria se surgisse Paola Oliveira e Cauã Reymond inofensivamente nus correndo do lado de sua bicicleta.

No final das contas, o desencadeamento de emoções, boas ou ruins, são o “start” para que o cérebro ache aquilo importante e passe a gravar o que está vendo à sua frente.

Agora vamos trazer isso para o universo da educação. Lá está você, estudando para uma prova importante, no seu quarto, uma zona segura, quentinha, livre de tigres. E o seu cérebro fica tentando fazer um grande favor. Pra ele aquele conteúdo do livro é pouco importante, apenas um monte de desenhos que chamamos de palavras, dispostos um ao lado do outro e impressos num papel.

E o que o cérebro faz? Começa a dizer para o seu corpo “Querido corpo, adormeça, economize recursos de atenção para coisas mais importantes como por exemplo tigres. Perigo do fogo. Baratas voadoras. Um delicioso chocolate perdido na geladeira”.

E não vai ter uma maneira simples de chegar para o cérebro e dizer “Cérebro, é o seguinte, eu agradeço sua preocupação mas quero informar ao senhor que este livro, apesar de parecer chato e entendiante, possui informações importantes que gostaria que fossem armazenadas, mesmo que eu esteja registrando um índice mínimo de escala emocional neste momento”.

Portanto, o que é preciso para que seus alunos possam aprender aquilo que você quer transmitir? Com base em pesquisas baseadas em ciência cognitiva, neurobiologia e psicologia educacional, o aprendizado precisa de muito mais do que um texto em uma página. Listo aqui cinco caminhos que vão colocar você conectado diretamente ao cérebro do seu aluno.

1. Seja visual. Pesquisas mostram que ocorre uma melhora de até 89% na lembrança e transferência de conhecimento quando utilizamos figuras junto aos textos. Elas também tornam as coisas muito mais inteligíveis. Coloque as palavras relacionadas às figuras dentro delas ou próximas a elas, ao invés de colocá-las embaixo delas ou em outra página, para que os alunos sejam até duas vezes mais capazes de solucionar os problemas relacionados ao conteúdo.

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2. Utilize um estilo conversacional. Em estudos recentes, os estudantes saíram-se 40% melhor nos testes pós-aprendizados quando o conteúdo falava diretamente ao leitor, utilizando o estilo conversacional em primeira pessoa ao invés do tom formal. Conte histórias ao invés de fazer uma preleção. Use linguagem coloquial. Não se leve tão a sério. A que você prestaria mais atenção: em uma companhia estimulante em um jantar ou em uma palestra?

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3. Leve o aluno a pensar mais profundamente. Em outras palavras, a menos que você flexione ativamente seus neurônios, nada acontece muito em sua cabeça. Um leitor deve ser motivado, comprometido, curioso e inspirado a solucionar problemas, tirar conclusões e gerar novo conhecimento. E para isso, você precisa de novos desafios, exercícios, questões instigantes e atividades que envolvam ambos os lados do cérebro e vários sentidos.

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4. Capture e mantenha a atenção do aluno. Todos nós já tivemos a experiência do “eu realmente quero aprender isso, mas não consigo passar da primeira aula acordado”. Seu cérebro presta atenção em coisas que são extraordinárias, interessantes, estranhas, atrativas, inesperadas. Aprender um assunto técnico novo e difícil não tem que ser chato. Seu cérebro aprenderá muito mais rápido se não for chato.

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5. Provoque emoções. Agora sabemos que sua capacidade de lembrar-se de alguma coisa é amplamente dependente do seu conteúdo emocional. Você se lembra de algo com que se importa. Você se lembra quando sente alguma coisa. Não, não estamos falando de histórias de cortar o coração sobre um menino e seu cãozinho. Estamos falando de emoções como a surpresa, a curiosidade, o divertimento, o “mas o quê…?” e o sentimento de “eu sou o máximo!” que surge em sua cabeça quando você resolve um quebra-cabeça, aprende algo que todo mundo acha difícil ou quando você descobre que sabe alguma coisa que aquele João “que se acha” não sabe.

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Espero que seu cérebro tenha considerado muito importante esse post. 😉

Um abraço e até a próxima!

 

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Bruno Ávila (72 Posts)

Bruno Ávila é publicitário e pós-graduando em Marketing com ênfase em ambiente digital pela FGV Brasília. Abriu sua própria agência em 1997, atendendo grandes clientes brasileiros. De 2001 a 2003 foi diretor de criação web do Grupo de Comunicação O Povo. Foi ganhador de três prêmios IBest, maior prêmio da Internet brasileira. Há 10 anos dirige a Ávila EAD, empresa voltada para soluções em educação a distância. Ministra cursos específicos sobre Design, Publicidade e Empreendedorismo por onde já passaram mais de 10 mil alunos. Bruno é autor do livro "Quero ser um Web Designer", um guia para os que desejam iniciar no mercado de web design.


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Bruno Ávila é publicitário e pós-graduando em Marketing com ênfase em ambiente digital pela FGV Brasília. Abriu sua própria agência em 1997, atendendo grandes clientes brasileiros. De 2001 a 2003 foi diretor de criação web do Grupo de Comunicação O Povo. Foi ganhador de três prêmios IBest, maior prêmio da Internet brasileira. Há 10 anos dirige a Ávila EAD, empresa voltada para soluções em educação a distância. Ministra cursos específicos sobre Design, Publicidade e Empreendedorismo por onde já passaram mais de 10 mil alunos. Bruno é autor do livro "Quero ser um Web Designer", um guia para os que desejam iniciar no mercado de web design.

10 Comments
  • Ricardo Timbe
    9 de março de 2015 at 18:32

    Caríssimo Bruno,
    Muito agradeço o seu texto rico e informativo que, confesso, o devorei muito estimulado e com toda a atenção. De facto ele possui todos os ingredientes que sugere ser necessários, para tornar qualquer conteúdo temático, interessante.

    Posto isto, escuso-me de reconhecer que o seu post revestiu-se de muita valia para mim.
    Abraços,
    Ricardo

  • JAMES VIEIRA
    1 de maio de 2015 at 18:09

    muito bom bruno…valeu pelas dicas amigo…uma duvida fiz meu cadastro no site mas não recebi o e-mail para confirmara..

  • gabriel da silva
    11 de agosto de 2015 at 10:57

    realmente bruno se não detiver esses requisitos acabo não prestando atenção por isso que meus livros da creche eu aprendi melhor!

  • Patrícia Grilli
    19 de agosto de 2015 at 00:11

    Quero ser assim quando eu crescer!! kkk

    Brincadeiras à parte, vc é o único que eu confio!
    Parabéns!

  • Tiago Balthazar
    10 de outubro de 2015 at 01:40

    Olá Bruno!
    Um detalhe que poderia enriquecer ainda mais esse artigo (que ficou maravilhoso!) é abordar os 3 sistemas de memória humana: a) a memória sensorial; b) a memória de curta duração; e c) a memória de longa duração, as quais trabalham juntas.
    Eu acredito que um curso que chame a atenção do aluno e ainda consiga ajudar na retenção do aluno deve ser planejado apara atingir cada uma dessas memórias. É claro que dá um trabalho danado fazer isso, e por esse mesmo motivo pagamos por cursos que nunca conseguimos terminar.
    Tenho assistido seus vídeos e aprendido bastante.
    Grande abraço!

  • JOSI
    10 de novembro de 2015 at 01:37

    Olá estava dando uma olhada nos seus vídeos mas ainda tenho uma dúvida. sou enfermeira e gostaria de saber se eu for ministrar cursos de 120h exemplo: Cálculo de medicação é necessario ter CNPJ?
    OBS: Gostei demais de suas informações.

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